Terça-feira, Maio 27
na página branca da bruma
onde
sem que o saibas
és nada.
na espessa solidão das pedras
julgas reconhecer a música das esferas
e nada és . e nada muda.
vem um guardião trajar-te de infinito
adornar-te com algumas pérolas
para a grande cerimónia da voz.
não compreendes porque o faz. e
nasces a chorar.
tua mãe logo acende algumas horas
no caminho das formas
amamentando - te de luz
para que não venhas a cegar
de escuro
cantas então com as estrelas da noite
sobre um trono de relâmpagos
como uma alma assente em luminárias de fogo
acesas no altar do coração do mundo.
supôes-te o mais livre dos seres.
mais à frente em tuas vestes resplandecem
as primeiras letras de bronze
oriundas do antigo
jorrando em castiçais de ouro
os primeiros frutos.
julgas que não és humana
mas uma deusa no mundo.
- e faltam coisas tão eternas como a eterna mudança,
frágeis ânforas para o esplendor do lume -
é então que tremes . conheces a vastidão do nada
porque foste queimada pelo fogo
trespassada pela espada das dúvidas
lançada à dispersão e loucura.
difícil é agora quando retornam aos dias
os seus carvões escuros
e ocupas o lugar dos muros
ainda por arder
até que saibas onde o poema habita
cercam-te as palavras
os gestos
a voz
a vida inteira é tua
maat in a luz do poema óleo de helen knoop
Segunda-feira, Maio 26
Há flores silvestres nos olhos
lugares de Abril
cercados de água
no interior
que desconheço
soprando o ópio
da paixão silvestre
dedos que se alongam nas teclas
de cada poro de medusas amarelas
a exalar a ternura
há palavras violeta
seguram frutos de luz
uma voz madura
na cadência das pálpebras
com as tranças presas à lua.
Graça Magalhães
de tanto amar
vem dizer as palmeiras, pupilas do vento,
perfiladas à margem dos meus sonhos. vem
escrever os olhos do alvorecer nos meus olhos
para que o sol devolva luz suprema ao sentido.
sabes, ceguei. de tanto amar ceguei. tacteio a terra.
planto o que não sei, na esperança de que alguma coisa
possa acontecer. podem aflorar aves nas mãos do cacimbo,
subitamente, a cantar um país que a chuva deixou amadurecer.
mariagomes
in " Di Versos"
Revista Semestral de Poesia e tradução ( 8)
Coord. de Jorge Vilhena Mesquita e José Carlos Marques
Edições Sempre- em- Pé
Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de
cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os
olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
— Temos um talento doloroso e obscuro.
construímos um lugar de silêncio.
De paixão.
.
Herberto Herlder
.
.
.
1.
deixa rasto marca pasto para que o ardor subtil
no rescaldo do regresso
deposite gotas de húmus ardente de comoção.
nesse lastro do ardido o húmus incandescido
faz-se criação sublime.
sendo o mover-se
tudo move
o que não arde e
intacto
se perdura no esplendor de seu ardente fulgor.
é o lugar da permanência:
perdurar
o que semeia.
Domingo, Maio 25
Fados dos Quatro Elementos
Não apresses o meu fim –
Vou cantar-te fado de água:
Lava a dor que trago em mim.
Lava e leva o sofrimento
Para longe dos meus passos,
Como se fosses o vento
Soprando entre os meus braços.
Ó fado de cada dia,
Em que minha alma procura,
Quando a manhã principia,
Novo amor, nova ternura.
Mal ouço a fonte cantar
Logo sinto o coração
Sua dor suavizar
Na água dessa canção.
Fado de oiro, fado de água,
Só tu fazes esquecer
Esta ferida lacerada
Que rasga todo o meu ser.
Por isso te cantarei
Para que a dor suavizes,
E onde impera a tua lei
A todos tornes felizes.
Vai correndo, fado de água,
Dentro de mim e por fora,
Faz nascer a madrugada
Quando a noite me devora.
( clicar sobre as imagens para aumentar )
Poema de António Simões, inédito [ Fados dos Quatro Elementos ]
Textos Transversais de Augusto Mota.
Há fêmeas côncavas de silêncio
pontes que se atravessam pouco a pouco
lençol poema de orvalho quase gelado
na cadência das luas que ficaram
nascem na primeira carne
palavras abertas
gemem estreitos caminhos fechados
um rio atravessa órgãos poderosos
e enquanto estou ouço-me chão a abrir
de fervor completo e soterrado
esse olhar cercou-me com os olhos
ironia a doçura irreprimível
nada pode parar o corpo no meio de um instante
iludir qualquer promessa de rios sossegados
ousar o contrário dos dias
e o fantástico mundo profundo em círculos
onde se abrem deltas lábios de desejo
quero dizer
estaremos sempre lá no lugar das fêmeas
do silêncio.
Graça Magalhães, 2006, Na Memória dos Pássaros, Palimage.
Sábado, Maio 24
Rotas infinitas
Pétala.
na exposição do argumento,
tremem visivelmente,
ele permanece sereno, pousado
(gota de orvalho sobre a agulha do pinheiro)
no momento presente.”
7.
E o que cada rosto a rosto possibilita: os olhos que ficam expostos, abertos no enlace (in)completo antes de acordar o bafo intocável dos gestos e a folhagem da indaiá, lentamente, muito lentamente, é uma língua de metamorfose(ar) desejos, de sabor para ficar na sombra da tarde, na sombra do Mondego e tudo em ti ja(zia) transborda(ndo) a flor de fogo atravessada dentro do corpo, a arte mais forte de morrer de amor, de morrer na corola extasiada da flor, para poder arrebatar o sémen antes de se tornar sangue, é que já tardam de tardar as manhãs serôdias de nevoeiro, deste(s) corpo(s) talvez demasiado consumido(s) de fome ou luxúria e por entre o sorriso louco das mulheres que enlouquecem visões (im)puras, há um jardim de onde saem todas as borboletas, a clara visão do (im)possível. Sob a boca dos céus o amor cintila como um olho de tigre. Neste lugar em que as almas vivem, onde o que mais prevalece é o amor descartável, a notícia de que o filósofo André Gorz e sua mulher, amante, amada, se suicidaram para que nenhum deles (sobre)vivesse (a)o sofrimento e à ausência do afecto, às madrugadas que murcham nas bocas sol(dadas) ao amor, faz-me pensar que talvez nenhuma palavra será suspensa ou revelada como outrora. A(com)panhar alguém no caminho da morte é algo d(emasi)ado supremo e de entrega ao outro, para que o bafo (in)quieto dos animais ainda se acenda para os dias de hoje. Um exemplo de como a morte é parte da vida e a raiz é parte da flor. E os firmamentos enfeitiçaram-se com os seus crimes e traições – o selvático desejo e o amor perverso - o infindável e contíg(u)o círculo da paixão, a(s) pétala(s) florescendo, a magnificência das fogueiras onde só acasalam os pirilampos sagrados. E o que cada rosto a rosto possibilita: tu, uma pétala nua.
In, " A anatomia d(um)a flor ou a metamorfose da raiz da língua".
.
para mim, marinheiro, a água é doce e o amor
um abismo volante.
eu confio-te a eternidade
das águas
as parábolas onde se prendem os lírios.
mariagomes
5dez.2006
Sexta-feira, Maio 23
É desta!
Quinta-feira, Maio 22
ao Sul...

Deixo dois, dos muitos rostos lindos da Bienal: Marta Jacinto e Helia Coelho
Fotos de Silvestre Raposo
***

e vamos entoando
o espaço das sílabas semeadas de lírios
em melodias suaves que se movem
intensas
soltas
no lugar onde os ulmos
fazem frondoso o vento
ao despontar do dia
Maria Costa
pintura – Jeanie Tomanek
Nas Margens Da Poesia
Canção
canto-te com duas sílabas
uma aberta outra muda
canto-te não deixando
que o canto se disperse
e difuso estreite a rua
canto-te ao sol da manhã
com alegria crescente
canto-te no teu voo
cantando o que de mim sou
cantando o que de mim sente
canto-te com a chuva
no silêncio desta tarde
canto-te na nua boca
onde o amor ao dia sabe
José Ribeiro Marto
A matriz do mundo
A fome e o sexo - Egon Schile
É urgente o amor
Não posso adiar o amor para outro
século - não posso!
-António Ramos Rosa-
.
O amor ferve de uma ferida exangue
de foles de corpos frescos
de caminhos e sonhos dilatados
de vertigem de ser só sede
de espaços que se tornam pele
de palavras de gume branco,
o rumor azul.
.
Há amor carregado de sol e águas cegas
e há amores como lágrimas fulgurantes
como um eco de um princípio inacessível.
.
O amor vem de corações fragmentados
de um sabor para além de tudo
de uma disseminação de vozes
de bocas e fogo unido à terra
de uma força feroz nos pulmões
de torres de sílex negro,
animais insólitos.
.
Há amor aberto de imensas pedras cruas
e há amores entre a parede e o silêncio
como linhas paralelas de pequenos círculos.
.
O amor forma cúpulas diáfanas
de livros ilegíveis na sombra
de arcos sob grandes gargantas ocultas
de um corpo côncavo em luz
de um tempo concreto no respirar do verbo
de profunda ausência nas raízes,
a chama da terra.
.
O amor dilata-se e dilata-nos de veias ateadas
invoca e insufla a pele sagrada de sal aceso na água,
é serpente que morde a própria cauda diurna
dilacera palavras nuas por outras palavras desnudas,
.
mas, não se pode adiar mais o amor indivisível
que rasga o mundo feérico na dobra aberta dos dedos
íngremes no cintilante jade onde nasceu a magnólia.
.
Não se pode adiar mais o coração do amor inicial
que acende o tempo no lume venerável das pirâmides,
essa nudez de memória álgida que nos aflora a boca
que estremece de melancolia os corpos inóspitos de Deus.
João Rasteiro
Where is the Love? - Black Eyed Peas
João Rasteiro - (ao poemarte).
Quarta-feira, Maio 21
Recital Poético-Musical pelos Experiment'arte*
1 .Paulo Pires [ coros e acordeão ] e Nuno Martins [ guitarra electro-acústica ].
2 .Sónia Pereira [ declamação]
3 .Paulo Pires [coros e acordeão ]
4 .Paulo Pires e Ricardo Martins [ voz solo e piano ]
5 . Sónia Pereira**********
*****
Terça-feira, Maio 20
De açafate no braço
Excerto de um poema de Teresa Tudela in "Nas Margens da Poesia"
Fotografia e composição de Augusto Mota.
Homenagem a Urbano Tavares Rodrigues - O Poeta da Palavra Vida
1. Inês Tavares Rodrigues, em representação de seu avô, Urbano Tavares Rodrigues.
2. A mesa - Inês Tavares Rodrigues, à esquerda, Isabel Soares, a presidente da Câmara Municipal de Silves, ao centro, e, Domingos Lobo, à direita.
3. Isabel Soares, a presidente da Câmara, no uso da palavra.
4. Domingos Lobo falando sobre Urbano Tavares Rodrigues
5. Domingos Lobo**********
*****
saber o sal
Segunda-feira, Maio 19
....................louca mente
quero dormir a noite
acordar o dia
no silêncio de mim ou na confusão
de ti
quero olvidar o complexo
solto de um afago negado
sentido de repente na mão
que estendo ao encontro
de nós
quero ser água e vento
lamento quase ausente
presente no estar aqui em ti
sem mim
quero abrir o pranto à alegria
imensa de um encontro a sós
em nós pensados em sol
sustenido ou sentido no piano tocado
a sul
inventado a norte
quero ser a ausência presente
no sentimento vivido nas mãos
que percorrem os meus e os teus cabelos
revoltos
quero
inventar um canto de repente
não
quero dormir e acordar
so[mente]
se alguém disser o contrário
mente
As Últimas Intervenções da 3ª Mesa
1 .Sob o olhar bem humorado de manuel a domingos, Porfírio Al Brandão, depois de apresentar a sua intervenção, pediu a colaboração de
1.1. Rita Grácio
1.2. Graça Magalhães
1.3. gabriela rocha martins. Fotografias do jardineiro/filósofo [e muito mais] Augusto Mota.
Olawelu lwangwalwangala p'ongalu

Olawelu lwangwalwangala p’ongalu
A oleira pôs o coração na argila
NYANEKA
Esta mulher é minha e eu a amparo, oh povo, para poder vê-la a modelar o pó. Os seus dedos, oh povo, o ar é que os governa, assoprado pelo nó do coração quando o seu génio, oh povo, confunde a terra e a carne e a cor dos instrumentos, e a água vem render à mesma massa, oh povo, a terra e a carne que um tempo antigo modelou primeiro. É o vento que vem, é a terra que está, é a água que rende, é o fogo que coze, é a forma que nasce. Esta mulher, oh povo, habita o espaço para que foi parida, vigia o campo posto à sua guarda, ela é o corpo dado às gerações para que comunguem deste vento, oh povo, e da água que habitam, e da terra que as vive, e do fogo que afina, o povo, matéria rija, perdurável, povo, para dá-la às mãos que operam no comum, aos gestos mais correntes do verdor dos jovens, e do rigor dos homens, e da fecunda oscilação das fêmeas , e do rumor das vocações à solta, e dos ofícios seculares do vento, e da matriz das águas, e da massa do pó, oh povo, e do génio da carne que recorre à água que modela o pó que se entrega ao fogo que se rende ao vento e assegura a forma, e o destino da forma, e a vocação da forma e sua votação de novo ao pó, oh povo, e ao vento, oh povo, e à carne previsível, povo, que há-de de novo recorrer à água, oh povo, e ao vento e ao fogo em que perdure a geração de agora e o coração desta mulher, oh povo, que bebe o ar para invocar o vento e que recorre à água e que devolve ao fogo, oh povo, a forma dada no viver comum de que se faz o eterno que quer presente.
[...]
excerto de ' hábito da terra'
edições Cotovia
Domingo, Maio 18
nesse lugar
éramos da mesma idade
desci laçando-te o braço
era silêncio e espaço
uma escada de céu e pássaros
uma escala que cantava
em cada oitava
agora o vazio por degraus
foi breve a nossa longa viagem
eterna
regresso durando humana
Maria Costa
Pintura - karin kuhlmann
Há Sol e Sol
Uma selecção dos meus Pôr de Sol. Este que vejo da minha porta, é especial para mim.
1. fados dos quatro elementos
Diz-se que o ar não tem cor,
Mas nessa eu não acredito,
Basta olhar, por favor,
Quando é hora do sol-pôr,
Para a cor do infinito.
Ele é a grande redoma
Que envolve todo o planeta –
Se a nuvem ao alto assoma,
Voa a águia e voa a pomba,
E também a avioneta.
Eu vou pegar num balão
E enchê-lo num momento –
Ponho lá o coração,
Vai leve como o balão
Para onde for o vento.
Quando ao pé de mim escuto
O teu brando respirar,
Na paz do nosso reduto
Há silêncio absoluto,
Fica à escuta o próprio ar.
Dos elementos és rei,
Desses quatro principais;
Mal eu nasci, respirei,
Ó ar, sem a tua lei
Ninguém vivia jamais.

Poema de António Simões ( inédito )
"Fado", quadro de José Malhoa.
quando ao mar me dou, e entre os peixes avisto os escolhos
recolho o nácar dos afogados;
sobre os tapetes do meu jardim,
ele é mais belo
que o abrasar da chuva que resplandece em ouro.
mariagomes
21.abril.2008
das Vozes e Melodias - mensagem, simplesmente
das Melodias e Vozes que já aqui se ouviram pouco se disse.
.
digo: de melhor em melhor!
.
Patxi, uma grande Voz!
Bem Haja a quem, aqui,
d e l e
se lembrou (que eu nunca o esqueço)
.
Abraço a todos e todas!
maria toscano
Sábado, Maio 17
Treze maneiras de (não) colher uma rosa
Poema de António Simões, in Antologia "Nas Margens da Poesia", Silves 2008
Fotografia e tratamento digital de Augusto Mota
ENCONTRO COM A POETISA MARIA AZENHA NO CENTRO CÉNICO DA CELA
Todos (mas mesmo todos!) somos convidados para um encontro com uma mulher extraordinária (facto sempre assinalável) e para um bocadinho de poesia (facto sempre irrecusável), no próximo domingo, 18 de Maio, na Mediateca do Centro Cénico da Cela (bem perto de Alcobaça), às 16 horas. Maria Azenha lançou recentemente o seu último livro de poemas, A Chuva nos Espelhos, que nesta sessão será apresentado pela escritora Risoleta Pinto Pedro. Desse mesmo livro retiramos uma curta mas belíssima paisagem poética, tentando aliciar-vos a estar presentes...
O Coração dos Espelhos
Há um espelho que canta
e bate na cara e
sangra
(...)
avanço na ondulação difícil da casa
o coração dos espelhos é alto
tão alto
Depois não digam que não avisámos...
O poema
é a voz que adormece
a claridade
como lírios de luz
nas asas de um tocador
é uma extática e lenta primavera
onde a carne se distrai
e as giestas abrem perfumes
como desejos.
O poema
é uma profusão de teclas
sobre trinados de pele
Medusas de incenso
no sangue de quem escuta
Um ser outro diferente
um instrumento de sol
bagos de cereja
pelos canais do linho
alegria de palavras
dormindo os pássaros
da tua entrega
entre a flor e o incêndio do vento
O poema és tu
e eu dormindo.
Graça Magalhães
A rosa do mundo
The Sick Rose - William Blake
THE SICK ROSE REVISITED AGAIN
Rosa, rosa indolente,
o invisível verbo
que agride na enferma
sílaba do corpo e do branco
.
entrou nas minhas entranhas
ensandecidas de agonia
e o seu odor dissimulado
preparou a minha morte.
JOÃO RASTEIRO
.
Rosa de Hiroxima - Ney Matogrosso
.
http://www.youtube.com/watch?v=NF4LQaWJRDg&feature=related
http://hiroshima45.blogspot.com/
http://en.wikipedia.org/wiki/Atomic_bombings_of_Hiroshima_and_Nagasaki
Sexta-feira, Maio 16
A 3ª Mesa Redonda - "Democratização da Poesia e Banalização da Palavra?"
1 . Da esquerda para a direita - manuel a domingos, Porfírio Al Brandão, Maria Estela Guedes, Silvestre Raposo, Maria do Sameiro Barroso, Luís Serrano e Manuel Madeira [de pé, a ler a sua comunicação]
2 .Maria Estela Guedes e Silvestre Raposo.
3 .Maria Etela Guedes no uso da palavra.
4 .Maria do Sameiro Barroso
5 .manuel a domingos, Porfírio Al Brandão e Maria Estela Guedes fotografias do jardineiro/filósofo [e muito mais] Augusto MotaQuero descer
a cratera humana
a graça desconhecida
da criação oculta
pelas espadas
de um lírio
descerrar sobre os campos
como língua de luz
todo um corpo na substância
a sementeira na cabeça
nos intestinos um archote
talvez depois
a taça de lábios
que perpassa a razão
do peito apreendido.
Graça Magalhães
Quinta-feira, Maio 15
3ª Mesa Redonda - "Democratização da Poesia ou banalização da Palavra?
1 .Luís Serrano no uso da palavra .Seguem.se.lhe Maria do Sameiro Barroso, Silvestre Raposo e Maria Estela Guedes.
2 .Luís Serrano
3 .Enquanto Silvestre Raposo faz um balanço dos trabalhos, manuel a domingos folheia um livro, Porfírio Al Brandão medita, Maria Estela Guedes observa e Maria do Sameiro Barroso aguarda.
4 .manuel a domingos disserta
5 .o veterano poeta Manuel Madeira no uso da palavra***************
**********
*****
Nas Margens Da Poesia
vozeia a pino no canteiro a corola de uma flor
uma flor de água comum aquela ali
abrem -se duas ou quatro pétalas
uma lua cheia da cor dos olhos
uma porta entreaberta
tudo é incompleto e leve
tudo é trazido e levado pelo sopro de um pássaro
esvoaçando espera
tudo num instante de insecto rebelde
anelado e perpétuo na terra
José Ribeiro Marto
Há violinos interditos
Nos teus dedos
Segredos de amanhã
Amarrados
Aos jardins da pele
Na minha boca
Abrem-se pássaros
E há um cheiro de primavera
Uma súbita ternura no silêncio
que disseste.
Graça Magalhães
mais interior que um coração
rostos apagados das casas
que hão-de espalhar pétalas de rosas
no fim do mundo
Maria Costa
Fotografia - Michael Levy

dir-me-ás que não canto
tenho em mim a madrugada de todos os entardeceres
o rosto de um cântaro que o sol abandona em cruz
dir-me-ás que é de pedra a pele que se abriu aos homens
guardando a luz.
mariagomes
março.2008
Quarta-feira, Maio 14
Textos Transversais
“Diferentemente dos deuses que sempre falaram ao homem, os textos não falam; acrescentam-se às coisas, tornam-se coisas. Engendram novos espaços para novas coisas. Ou melhor: eles falam, mas o que dizem logo se condensa, ou numa excessiva legibilidade de que só podemos suspeitar, ou numa ilegibilidade que nos obriga a um exercício de decifração que, não raramente, nos conduz a pouco mais do que à premonição de um silêncio que não é uma forma de ser, mas apenas uma espécie de mudez, de afasia.”
in Magalhães, Rui - «INFINITO SINGULAR: Sobre o não-literário»,
cap. Discurso e silêncio do texto, p. 78, ed. Textiverso, Leiria, 2006. Textos Transversais de Augusto Mota.
O poema
Verto no cálice
Poemas: Gabriela Rocha Martins
in “Delete.me”
Imagens: Siegfried Zademack e Juni Mond
Fotomontagem: Maria Costa
ainda a apresentação da Antologia
1 .Em primeiro plano, Marta Vargas.
2 .António Simões, com a boa disposição que lhe é peculiar, dizendo um dos seus poemas.
3 .Maria Azenha
4 .Alguns dos responsáveis pela III Bienal - Em primeiro plano, o Vereador da Cultura, Dr. Rogério Pinto. A seu lado , gabriela rocha martins e a Chefe de Divisão ,Profª Rosário Pontes. Ao fundo, Luís Miguel Cabrita, um dos orientadores das visitas guiadas.
5 .O Vereador da Cultura, Dr. Rogério Pinto, no uso da palavra. fotografias do jardineiro/filósofo [e muito mais] Augusto Mota.que me foge
nunca atinjo não domino
escorre ao ritmo das ausências
inocentes
das presenças de quem está sem o saber
.
.
das voláteis escorreitas horas ténues escorre o verso que não chego a escrever.
.
.
.
.
.
é de águas.
e ventos nas ramas verdes.
águas onde o barco poisa. e a montanha.
verde verde que te quero cavalinho.
e a cigana que também verso, sei.
.
é de águas e da claridade ao norte
onde as asas atravessam a mensagem
branca. juncos. a da mãe. e da mãe.
verso limpo. não o atinjo. mas sei.
.
é de águas e figuras soberanas
pela voz bela mulher dolorosa
onde também o mar era o horizonte
verso sábio. não o alcanço. mas sei.
.
é de águas o continuado poema
de quem traz a luz do sul para a cidade
enigmática mestria incessante
mestria do verso liso. leio e sei.
.
é de águas rochosas, agrestes palavras
montanhosas. narração do mundo cru.
homem hirto, atento poeta aflito
verso
que não cobiço nem invento. mas sei.
.
é de águas em nomes multiplicadas
em perfis em poetas em personas.
mago. magistral o escrevente da pátria
portuguesa água que escuto. que sei.
.
é de águas e da ousadíssima fala
erotismo da brava fêmea divina.
versos que hoje se calam nunca esqueci.
pitonisa da palavra. bem o sei.
.
é de águas e da lusíada traça
o imponente verso a perdurar no tempo
grande arguente escriba de identidades
do poema a que não chego. mas sei bem.
.
.
maria toscano
coimbra, Jardim da Manga, 5 Set /2007
Terça-feira, Maio 13
Dentro de momentos toda a verdade
Poema de manuel a domingos, in Antologia da III Bienal de Poesia de Silves//"Nas Margens da Poesia"
Fotografia, manipulação cromática e composição de Augusto Mota.
Bioteologia
Favorecendo o cruzamento de um rato de altar com uma ratazana de igreja, Saint Sulpice criou o rato da arte, extremamente hábil a descobrir as obras-primas e o primeiro a vulgarizar a arte dos ícones ou Pop Arte.
BiothéologieEn favorisant le croisement d'une souris d'autel avec un rat d'église, saint Sulpice créa le rat d'art, fort habile à dénicher les chefs d'œuvre pie et le premier à vulgariser l'art des icônes ou Pope Art.
Jacques Prévert, Imaginaires, 1970
postado por Porfírio Al Brandão em Le passager du transatlantique


























